quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Em Chagos
Eu já disse para vocês o quão incrível Chagos é. Agora eu explico o porquê: um atol no meio do Oceano Indico sem habitantes, tartarugas e passáros não vêem motivos para temer nossa presença, podemos toca-los se assim quisessemos (confesso que não resisti e lustrei o casco de muitas tartarugas), os corais são perfeitos, a variedade de peixes estonteante e os peixes são maiores do que os livros especializados dizem! Em terra os "coconut crabs", caranguejos de coqueiros são enormes, estão por todos os lados e são protegidos legalmente. Os tubarões também são presença constante mas geralmente são tubarões de recife e não agressivos. Os mais comuns são o "black tip" (ponta negra) e o "nurse shark" (marrom com uma calda diferente mais pontuda e com mania de deitar-literalmente- na areia para tirar um coxilo). Agora a grande atração foi o dia que uma baleia pequena (uns 7 metros), recentemente falecida, rolou recife adentro e ficou boiando na lagoa. Nós fomos lá checar e de acordo com os livros que checamos a baleia era do tipo "beaked" ou bicuda, com 2 dentes saindo do queixo. Antecipando o espetáculo da comilança que ia ser com os tubarões nós guinchamos a baleia até uma boia mais próxima da ilha para podermos assistir. No dia seguinte a calda tinha quase desaparecido e a barriga estava aberta. Decidimos levar a baleia mais perto da praia para ver e os tubarões sempre por perto no razo. Durante a maré baixa fomos dar mais uma olhada com nosso bote e encontramos dois tubarões tigre, a espécie mais agressiva que existe, peranbulando em 3 metros de água esperando a maré subir mais para pegarem mais um "lanchinho". Simplesmente incrível! Agora o que me deu um frio na barriga foi pensar que eu estava segura dentro da lagoa, que esses tubarões grandes ficavam sempre nas áreas de fora do atol! Mas também com uma refeição como essa dando mole que tubarão resiste? Com relação ao tempo, nós chegamos em Chagos em uma fase de ventos fortes, 25 nós diários por 10 dias mas depois acalmou. Felizmente essa fase mais calma durou mais tempo e criou condições perfeitas para nossa travessia para Madagascar.
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