domingo, 16 de agosto de 2009

Madagascar

Partindo de Madagascar nós pegamos uma fase mais tranqüila dos "trade winds" do sudeste tivemos ventos constantes entre 15 e 20 nós. Perfeito para o Moonwalker. Cobrimos 1560 milhas em 8 dias e 5 horas certinhas, com pelo menos 3 dias de mais de 200 milhas diárias. Ao aproximarmos da ilha de Madagascar, como esperado, os ventos aumentaram assim como o mar. Nossas últimas 5 horas antes de rodearmos o Cape D'Ambre foram de adrenalina intensa com ventos de 40 nós e ondulação de 3 a 5 metros quebrando as vezes em cima da gente! Mas nós estavamos secos e seguros no cockpit e em nenhum momento sentimos que estavamos em perigo. Moonwalker mais uma vez se mostrou eficiente e solida com sua pequena vela de tempestade ("storm jib") apesar do tempo estar lindo e ensolarado, e 3 cordas atravessando a popa para criar resistência e diminuir a velocidade do barco e evitar que surfacemos descontrolados. A grande vantagem que tivemos foi graças a grande família marítima, que sempre na troca de informações e conselhos, nos direcionou a seguirmos mair para o sul em nossa rota e abraçar a costa leste da ilha até rodearmos o cabo no ponto norte da ilha. Seguindo esse conselho, nós tinhamos o vento (que fica mais sul próximo a costa) e as ondulações viajando conosco ao invés de nos bater de lado. Como essas regras de navegação somente se aplicam em barcos nós assistimos, boqueabertos, a uma baleia jubarte literalmente decolar nas ondas enquanto ela viajava contra o vento e ondas descendo a costa! A baleia saia quase totalmente da água e viajava rápidamente como uma lancha de corrida. Loucura! Uma vez que rodeamos o Cabo D'Ambre a menos de 500 metros da costa o mar acalmou totalmente mas os ventos continuavam fortes, entre 20 e 30 nós. Com o sol se pondo, e um capitão cansado, nós ancoramos no primeiro pedaço de costa que tinha 10 metros de profundidade. Com a barriga cheia e a luz do farol do Cabo D'Ambre nos iluminando a cada volta que dava, nós fomos dormir felizes: NÓS ESTAVAMOS EM MADAGASCAR!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Em Chagos

Eu já disse para vocês o quão incrível Chagos é. Agora eu explico o porquê: um atol no meio do Oceano Indico sem habitantes, tartarugas e passáros não vêem motivos para temer nossa presença, podemos toca-los se assim quisessemos (confesso que não resisti e lustrei o casco de muitas tartarugas), os corais são perfeitos, a variedade de peixes estonteante e os peixes são maiores do que os livros especializados dizem! Em terra os "coconut crabs", caranguejos de coqueiros são enormes, estão por todos os lados e são protegidos legalmente. Os tubarões também são presença constante mas geralmente são tubarões de recife e não agressivos. Os mais comuns são o "black tip" (ponta negra) e o "nurse shark" (marrom com uma calda diferente mais pontuda e com mania de deitar-literalmente- na areia para tirar um coxilo). Agora a grande atração foi o dia que uma baleia pequena (uns 7 metros), recentemente falecida, rolou recife adentro e ficou boiando na lagoa. Nós fomos lá checar e de acordo com os livros que checamos a baleia era do tipo "beaked" ou bicuda, com 2 dentes saindo do queixo. Antecipando o espetáculo da comilança que ia ser com os tubarões nós guinchamos a baleia até uma boia mais próxima da ilha para podermos assistir. No dia seguinte a calda tinha quase desaparecido e a barriga estava aberta. Decidimos levar a baleia mais perto da praia para ver e os tubarões sempre por perto no razo. Durante a maré baixa fomos dar mais uma olhada com nosso bote e encontramos dois tubarões tigre, a espécie mais agressiva que existe, peranbulando em 3 metros de água esperando a maré subir mais para pegarem mais um "lanchinho". Simplesmente incrível! Agora o que me deu um frio na barriga foi pensar que eu estava segura dentro da lagoa, que esses tubarões grandes ficavam sempre nas áreas de fora do atol! Mas também com uma refeição como essa dando mole que tubarão resiste? Com relação ao tempo, nós chegamos em Chagos em uma fase de ventos fortes, 25 nós diários por 10 dias mas depois acalmou. Felizmente essa fase mais calma durou mais tempo e criou condições perfeitas para nossa travessia para Madagascar.